post-samambaia

Uma salva de palmas para preservação da lendária Fazenda da Samambaia , monumento histórico colonial do município fluminense de Petrópolis, tombado pelo instituto do Patrimônio Histórico e artístico nacional. Hoje em dia também funciona como um “hostel”.

A esquerda o desenho de Peter A. Brandt no início do séc. XIX, que muitos historiadores afirmam ser um dos primeiros dele no Brasil, antes de conhecer Peter W. Lund. A direita a fazenda fotografada do mesmo angulo, mas nos dias de hoje.

A fazenda era um ponto de pernoite pra quem ia percorrer o Caminho Novo, que levava a Minas. Parada obrigatoria pra varios naturalistas, bandeirantes e tropeiros em geral que estavam indo na reta de Minas, obrigados a fazer a troca de cavalo.

Hoje é um exemplo do que fazer com os patrimônios históricos que ainda resistem de pé em Lagoa Santa e no Brasil.

A História

Os primeiros registros da história da Fazenda da Samambaia (antiga Belmonte) datam do século XVIII, mais de um século antes da fundação da cidade de Petrópolis. Tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico e Cultural, a Fazenda fazia parte da variante do Caminho Novo concedida por Bernardo Soares Proença.

Muitos anos se passaram entre heranças e divisões, até que em 1780, Maria Brígida Goulão legou a Fazenda a seu filho mais velho, o Cônego Luis Gonçalves Dias Correia. O Cônego, nas primeiras décadas de 1800, recebeu várias comendas e foi nomeado por Dom Pedro II Cônego honorário da Imperial Capela em 1843.

No início do século XIX, a Fazenda foi visitada e descrita por muitos naturalistas como Cunha Mattos, Langsdorff, entre outros. Em 1940, a Fazenda foi comprada pela família Leite Garcia e logo foi restaurada (1942-1945) pelo arquiteto Wladimir Alves de Souza, que resgatou o precioso ambiente dos velhos tempos da Fazenda da Samambaia.

A Fazenda Hoje

Atualmente a Fazenda Samambaia é a sede do Instituto Samambaia de Ciência Ambiental – ISCA  e conta com algumas atividades como o Restaurante Taverna do Cônego, o Borboletário Cores da Samambaia, exibição de animais e uma linda horta orgânica.

Fonte e site do Instituto Samambaia: http://www.isca.org.br

Festa imperdível para empresários em Lagoa Santa que querem fazer novos contatos no mercado em um clima descontraído.

Interessados em convites entrar em contato no telefone (31) 8478-0138, pelo Facebook via mensagem, ou pelo e-mail blourenco@gmail.com

Essa mensagem é para qualquer morador que vai votar em Lagoa Santa nesse próximo domingo, 07/10. Ciclistas, escaladores, corredores, esportistas em geral que se preocupam com o meio ambiente e das trilhas verdes que usam hoje pra praticar suas atividades, mas que a cada ano que passa vão sendo extintas. Quem quer ver a mobilidade urbana da cidade evoluir. Quem enxerga as águas da Lagoa Central como o maior patrimônio da cidade. Quem valoriza as matas nativas, espécies de animais, córregos e nascentes da APA CARSTE de Lagoa Santa. Se você também pensa em preservar o patrimônio histórico e cultural da cidade, essa mensagem também é importante. Se nada disso tem importância para você, não leia o texto abaixo.

Amanhã, caso não houver segundo turno, é o fim desse período muito desgastante e incrivelmente irritante com centenas de militantes pagos balançando bandeiras e carros de som, agências de propaganda bombardeando os cidadãos com mensagens genéricas dos candidatos, muitas delas “endeusando” eles, usando ferramentas de apelo publicitário barato, entretenimento, e por último mas não menos comum: distribuição de favores e dinheiro pra todos os gostos.

Um dos principais interesses em escrever no Melhor de Lagoa Santa é tentar abrir os olhos de todos para o futuro ambiental e o potencial ecoturístico sustentável de Lagoa Santa, ja que propostas comuns para melhorar a vida da população é o que não faltam nesse período, enquanto o meio ambiente  e as consequencias do impacto do crescimento econômico é deixado para segundo plano, ou ignorado.

Uma das formas de evitar o “Candidato Paraquedista” da charge abaixo, é procurar saber o que ele (a) fez antes das eleições. Candidatos que só aparecem na época da campanha, investindo muito dinheiro para dominar as ruas com sua propaganda, deveriam ser motivo de piada pelo tanto de dinheiro investido, mas no Brasil é sinônimo de candidato popular.

A maioria dos moradores de uma cidade pequena como Lagoa Santa tem um comportamento medíocre em época de eleição: escolhe o candidato que conhece pessoalmente, que é amigo, parente, que ganha algum tipo de benefício particular dele, etc. É uma forma de tentar não ser enganado pela propaganda política suspeita, enganosa, manipuladora que aparece em todos os cantos. Mas no final, revela-se uma decisão preguiçosa, só diz sobre o eleitor que ele não teve interesse em conhecer propostas de outros candidatos.

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Por outro lado temos pessoas que dividem sua vida particular com causas públicas pela cidade, antes e durante as eleições. Entre essas pessoas, citamos duas candidatas ao cargo de vereadoras na Câmara Municipal, que querem trabalhar servindo interesses ambientais: Elisa Gazzinelli, número 43010, e a Júlia Pinheiro, número 43681.

Quem conhece as duas sabe o que andaram fazendo esses últimos anos na cidade. Para citar apenas um exemplo que elas possuem em comum, fizeram parte de um grupo de 6 pessoas que tiveram papel fundamental de uma conquista da cidade em 2011, planejando e realizando o movimento de criação do projeto de lei Pedala Lagoa Santa. O projeto, que foi aprovado esse ano, dispõe sobre o sistema cicloviária Municipal e foi o primeiro de iniciativa popular na história de Lagoa Santa, com mais de 2 mil de assinaturas de moradores, destaque em toda a imprensa da cidade. Clique aqui e veja um video relembrando o dia da mobilização reunindo ciclistas na orla da lagoa.

Recomendo você a visitar os links abaixo para conhecer melhor as propostas da Elisa e da Júlia, e tirar suas conclusões se a cidade merece alguém que defenda o meio ambiente e desenvolvimento sustentável na dança da cadeira da nossa Câmara Municipal.

Elisa na camara apresentando o projeto de lei Pedala Lagoa em 2011

Elisa: acesse o blog no link: http://elisa43010.wordpress.com/, ou seu facebook .

Julia na camara apresentando o projeto de lei Pedala Lagoa em 2011

Júlia: depoimento da Marina Silva no link http://youtu.be/hWFDj69QyA4 , ou seu facebook.

Qualquer uma das duas que estiver na Câmara, melhor ainda se for as duas, será uma força importante para criar propostas dos interesses listados acima, seria o voto certo de todos que se preocupam com o mais importante da cidade.

Sobre os dois candidatos a prefeito com chances de ganhar amanhã, para saber quem se interessa mais pelo meio ambiente e desenvolvimento econômico sustentável da cidade é só lembrar quem teve interesse em ir na reunião que marcou o lançamento das Cidades Sustentáveis em Lagoa Santa, em abril desse ano: Dr. Fernando, número 40, que também viajou a São Paulo para fazer o curso Cidades Sustentáveis. Breno Salomão, número 23, não foi.

Prof. Dr. André Prous – Professor Titular da UFMG

Além da inauguração do Museu Peter Lund, na Gruta da Lapinha, notícia bastante divulgada pela imprensa mineira ontem e hoje, foi realizado também no mesmo dia, porém com menos ou nenhum destaque na mídia, o Simpósio Internacional Peter W. Lund, no Museu de Ciências Naturais PUC Minas.

O evento teve palestras de representantes do Museu de História Natural da Dinamarca, na Universidade de Copenhague, e de outros especialistas estrangeiros e brasileiros sobre a vida e obra deste paleontólogo e naturalista que viveu em Lagoa Santa.

Cada participante recebeu logo na entrada um exemplar do livro didático infantil “A história de AUR e NIA”, publicado pelo professor Cástor Cartelle e o cartunista Lor, que conta de maneira divertida a história de duas crianças de apoximadamente 10mil anos atrás vivendo em Lagoa Santa e sua fauna extinta nos dias de hoje.

O evento foi uma parceria do Museu de Ciências Naturais com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e teve uma breve participação de alguns membros da familia real dinamarquesa, incluindo a princesa da Dinamarca, Mary Elizabeth, condessa de Monpezat. Apesar de ficar apenas nos primeiros minutos do simpósio, e sem dizer uma palavra, a presença da princesa foi muito significativa para dar ainda mais importância ao evento.

As palestras tiveram início após a inauguração do “marco zero” do projeto de turismo científico Rota Lund, idealizado pelo professor Cartelle, que percorre o caminho feito por Lund e integra o museu da PUC Minas, o Parque Estadual do Sumidouro, as grutas da Lapinha, em Lagoa Santa, Rei do Mato, em Sete Lagoas, e a de Maquiné, em Cordisburgo.

Para marcar o “marco zero”, foi inaugurado em frente ao museu um monumento de três metros e meio de altura, produzido em tubo de aço carbono sem costura, por Ricardo Carvão Levy, em homenagem a Peter Lund. Segundo o artista, a inspiração da obra de arte veio da aparência dos fósseis pré-históricos.

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Palestras em inglês

Após uma breve introdução pelo Dr. Morten Meldgaard, Diretor Geral do Museu da Dinamarca, teve início a palestra da Diretora do Programa de Relacionamento com o Público do museu dinamarques, Hanne Strager, que falou sobre a relação do trabalho de Lund e Charles Darwin.

Em seguida, Kasper Lykke Hansen, Pesquisador Assistente do Centro de Genética, fez a sua palestra sobre novas informações da coleção de fósseis que Lund enviou ao museu dinamarques, contando sobre novos testes genéticos na coleção, a dificuldade de se obter algum resultado no teste de carbono 14 nos fósseis, mas que até agora não obteve nenhum resultado significativo novo.

Para encerrar a parte da manhã de palestrantes estrangeiros, Prof. Niels Bond falou sobre o trabalho de Lund e Cuvier como inspiração para as idéias evolutivas.

Palestras em portugês

O segundo tempo do simpósio foi inteiramente em português, tendo início com uma contextualização histórica do Prof. Caio C. Boschi, Professor Titular da PUC, seguido pela palestra da Historiadora Ana Paula Almeida Marchesotti, autora do livro “Peter Wilhelm Lund: o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira”, falando uma breve e importante biografia da vida e trabalho de Lund, resultado da sua dissertação de mestrado na UFMG que virou o livro.

A palestra seguinte foi do Professor Titular da UFMG, Dr. André Prous, sobre Lund e a Arqueologia,  marcada por algumas leves alfinetadas no arqueólogo Walter Neves, que não estava presente. Prous falou sobre as possíveis características da aparência que a ciência pode afirmar com certeza sobre Luzia, o fóssil humano encontrado por Walter.

A Profa. Dra. Gisele Lessa, Coordenadora do Mestrado em Biologia Animal da UFV foi a última palestrange falando sobre “As Grutas de Lund Hoje: O Que Mudou Em 200 Anos”.

Dando continuidade

O simpósio foi sem dúvida um evento mais interessante que a inauguração do Museu Peter Lund, que aparentemente foi apenas uma formalidade política envolvendo autoridades. Não se consegue entender porque marcaram os dois no mesmo dia, ja que o público interessado não poderia estar nos dois lugares ao mesmo tempo, mas se fosse para escolher um, o museu continua nos dias seguintes, os fósseis de Lund ficam mais 3 anos por aqui, já o simpósio acabou.

A boa notícia é a idéia proposta de realizar futuramente  dois Simpósios Peter W. Lund a cada 2 anos, um na Dinamarca, e um no Brasil, dando continuidade a divulgação das novas descobertas sobre o seu trabalho.

No clássico livro pré-modernista e dificílimo de ler da literatura brasileira, “Os Sertões”, Euclides da Cunha mostrou para o Brasil no ano de 1902 o sertanejo nordestino: uma figura então pouco conhecida e que a partir de então se tornaria um personagem nacional. Um “grande personagem numa paisagem inóspita”, que luta diariamente pela sua sobrevivência e merece a admiração que Euclides expressa na sua história, mesmo que triste e pessimista sobre o contraste social no Brasil.

O homem do sertão

Logo no primeiro capítulo Euclides cita Peter Wilhelm Lundo brilhante dinamarques naturalista que ensinou os brasileiros o que é um fóssil e que o Brasil não nasceu em 1500. Foi nesse momento que um dos maiores clássicos da literatura brasileira apresentou Lund para o “intelectual” brasileiro do século XX, e continua apresentando nos dias de hoje sempre que alguém lê “Os Sertões”.

Euclides achava necessário valorizar o legado dos viajantes naturalistas estrangeiros, atuantes no Brasil enquanto os próprios brasileiros se silenciavam a respeito do seu próprio país. Não só se silenciavam, como também prejudicavam o futuro conhecimento, como Lund citava nos exemplos das extrações de salitre das grutas e as queimadas propositais, destruindo no local fósseis, informação históricas, plantas e animais que nem sequer haviam sido descobertos pela sociedade científica mundial.

Ao usar os nomes de Lund, entre outros viajantes e cientistas estrangeiros, Euclides quis descrever na sua obra Os Sertões o conhecimento mais avançado sobre a natureza  brasileira, e também fazer o leitor pensar sobre o descaso dos intelectuais brasileiros em relação a seu próprio país naquele início do século XX.

Euclides usa a contribuição do conhecimento de Lund para descrever o Brasil enquanto viajava em direção a Guerra dos Canudos, no nordeste do país. Ele separa os dois primeiros capítulos “A Terra” e “O Homem”, citando Lund para:

  1. Descrever as características do cerrado cárstico de Lagoa Santa, de grutas e sumidouros;
  2. Demonstrar a complexidade da mistura étnica brasileira. Enquanto intelectuais da época definiam o Brasil como uma mistura de “índios, europeus e africanos”, Euclides da Cunha lembra as descobertas de Lund de algumas poucas décadas atrás, que comprovavam uma raça totalmente diferente, já extinta, e que viveu há milhares de anos, mas que também faz parte do sangue brasileiro.

…e volvem águas remansadas para o poente os que se destinam à bacia de captação do S. Francisco, em cujo vale, depois de percorridas ao sul as interessantes formações calcárias do rio das Velhas, salpintadas de lagos, solapadas de sumidouros e ribeirões subterrâneos, onde se abrem as cavernas do homem pré-histórico de Lund, se acentuam outras transições na contextura superficial do solo.”

“Neste belo esforço, rematado pela profunda elaboração paleontológica de Wilhelm Lund, destacam-se o nome de Morton, a intuição genial de Frederico Hartt, a inteiriça organização cientifica de Meyer, a rara lucidez de Trajano de Moura, e muitos outros cujos trabalhos reforçam os de Nott e Gordon no definir, de uma maneira geral mas completa, a América como um centro de criação desligado do grande viveiro da Ásia Central. Erige-se autônomo entre as raças o homo americanus.”

Para consultar “Os Sertões”, a obra está disponível gratuitamente em PDF na biblioteca pública do governo: Clique aqui.

Referências:

"Brasil, ficção geográfica": ciência e nacionalidade no país d'Os Sertões. Por Luciana Murari

CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Três, 1984 (Biblioteca do Estudante).

“Pássaros de Lagoa Santa” ganha nova exposição no dia 01/09, na Praça Dr. Lund, em Lagoa Santa, participando do evento Sarau Ecológico.

Fica o convite a todos que quiserem cohecer algumas espécies que vivem no serrado da região APA Carste de Lagoa Santa.

Veja algumas fotos da exposição no link: http://brunolourenco.com.br/?portfolio=passaros-de-lagoa-santa

Peter W. Lund morreu no dia 25 de maio de 1880. Na manhã do dia 07 de abril de 1881, 11 meses depois, uma comitiva de cavalos e carruagens imperiais chegaram pelas ruas de terra do Arraial de Nossa Senhora da Saúde de Lagoa Santa, trazendo o imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina, uma grande admiradora das descobertas arqueológicas daquela época. Ele com 56 anos, ela com 59, e Lund 79, se ainda estivesse vivo.

Registro de uma das grandes comitivas Imperiais de Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina. Na foto visitavam as escavações arqueológicas da cidade de Pompéia – Itália.

As autoridades receberam o imperador e após um belo almoço o levaram para fazer um tour pelo pequeno arraial, passando pela casa onde Lund morou, um bate-papo com seu filho adotivo Nereu Cecílio dos Santos, que mostrou algumas coleções que ainda existiam na casa. Ao por do sol Dom Pedro II navegou e pescou na lagoa azul de águas puras e cristalinas da cidade. A noite assistiu uma bela apresentação musical da banda Santa Cecília, e conversou com os moradores do arraial.

Logo no amanhecer do dia seguinte ele foi visitar algumas cavernas exploradas por Lund na região. Seu objetivo maior era conhecer melhor tudo que fosse relacionado ao cientista dinamarques, que era muito admirado pelo imperador e imperatriz.

No terceiro dia a comitiva partiu para Santa Luzia, e Dom Pedro levou algumas anotações de Lund e livros de sua biblioteca, deixando para os moradores a promessa de que iria traduzir e publicar tudo que estava levando. Ele acabou publicando mais tarde só parte do conteúdo.

Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias era uma imperatriz inteligente, estudiosa e interessada especialmente pela arqueologia e as descobertas que eram realizadas na sua época, daí pode-se considerar uma possível influência sua para D. Pedro II passar em Lagoa Santa, apesar dele por si só ja tinha enorme interesse na ciência e história do Brasil.

Ela chegou a financiar e conduzir escavações em Veio, um sítio Etrusco, 15km ao norte de Roma na Itália. Essa é a razão pela qual, anos mais tarde, Dona Teresa Cristina foi conhecida como “a Imperatriz Arqueóloga”. Quando desembarcou no Brasil pela primeira vez, trouxe também “intelectuais, artesãos, artistas, cientistas, enfim muitas pessoas de cultura e uma quantidade inumerável de obras, coleções e documentos preciosos, que constituem um patrimônio cultural inestimável”.

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Lund mais velho possuia a fama de não gostar muito de visitantes que vinham para Lagoa Santa conhece-lo. A visita do imperador porém seria sem dúvida espetacular, um grande encontro de dois grandes homens com muitas histórias vividas. A imperatriz, que tinha grande interesse por arqueologia, iria apreciar cada teoria dita por Lund a respeito de suas descobertas no Brasil. Dom Pedro II se interessaria por tudo aquilo que reforçaria o patriotismo, e Lund teria ali em mãos o fóssil mais antigo das américas, achado no Brasil, e uma teoria que desafiava historiadores europeus sobre a origem do homem na terra.

Referências:

http://imperiobrazil.blogspot.com.br/2010/06/dona-teresa-cristina.html

http://tremdahistoria.blogspot.com.br/2011/01/o-imperador-do-brasil-em-lagoa-santamg.html

Guignard, Auto-Retrato, 1955

A relação de grandes artistas que se inspiram em Lagoa Santa, como Guignard, Inimá de Paula e Peter A. Brandt, é bem explicada pelo professor e paleontólogo Cástor Cartelle, em um prefácio que ele deixou no livro “O artista desaparecido”, biografia recém lançada no Brasil sobre o Brandt:

Há guaches que retratam a pequena Lagoa Santa. Sua contemplação emociona, pois ressuscitam um tempo passado. Tudo gira em torno da lagoa, em cenas que captam detalhes das casas, caminhos, vegetação e até o centro da vida comunitária de então: a igreja, as ruas poeirentas que se alongam penetrando na ainda densa vegetação e que são beiradas por casas esparsas.”

Depois de Carlos Drummond e Inimá de Paula, mais um modernista que se inspirou nas paisagens de Lagoa Santa para expressar a grandiosidade do Brasil é o pintor e desenhista Alberto da Veiga Guignard (1896-1962).

Nascido no Rio mas mineiro por opção, Guignard tinha uma ligação com as montanhas de Minas, seu céu, seu povo e suas cores. Foi o poeta Manuel Bandeira que o aconselhou: “Vá pra Minas que tem tudo a ver com você.”

Lagoa Santa – 1950

Em 1944 Guinard mudou-se para Minas a convite de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, para montar uma escola de artes em Belo Horizonte e passar sua visão acadêmica de arte a pintores mineiros em ascensão.

Em 1950, Guignard hospedou-se inúmeras vezes na residência do médico Lucas Machado, irmão da escritora Lúcia Machado de Almeida, em Lagoa Santa. Naquele tempo a cidade ja tinha esse turismo característico nos finais de semana por moradores de Belo Horizonte, predominantemente da classe média, constituída de bancários, funcionários públicos e profissionais liberais que eram atraídos pela lagoa.

O pescador, a lavadeira solitária e o cavalo que pasta a paisagem. Barcos semi-abandonados, uma discreta vegetação aquática. Os cais improvisados e a encosta do morro. O céu mais iluminado que aqueles dos quadros que pintou de Ouro Preto, talvez devido a superfície da lagoa ou a qualidade diferente de luz na cidade. Foi essa paisagem de Lagoa Santa que Guignard pintou várias vezes, com poucos traços e grande economia de recursos, como dizem críticos de arte, mas definindo a situação com um olhar que a população jamais viu.

Nos quadros estamos em uma Lagoa Santa da década de 50, e os “anos dourados”, a passagem do Brasil agrário para o tecnológico, ainda iria demorar para chegar na pacata e bucólica cidade dos fósseis. Ja existia o Parque Aeronáutico PAMA-LS na entrada da cidade, mas o Aeroporto de Confins, o principal responsável pelo crescimento econômico que a cidade vive nos últimos anos, só seria inaugurado em 1984, muitos anos depois. Foi a década também marcada pela devastação dos sítios arqueológicos por atividades agrícolas, e o oba-oba dos artefatos primitivos que eram achados e vendidos em praça pública por mercenários, ao estilo Peter Claussen.

Na paisagem de duas pinturas da galeria acima ainda se ve a antiga Igreja Nossa Senhora da Saúde, principal igreja da cidade construída em 1819, ao estilo barroco, que seria demolida nos anos 60 devido ao péssimo estado de conservação para dar lugar a que existe hoje, com arquitetura arredondada, totalmente diferente.

Não poderia falar de Lagoa Santa e Guignard sem mencionar a artista Leda Selmi Dei Gontijo, uma das alunas da primeira turma da Fundação Escola Guignard, em 1944, estudando com o mestre Guignard, e que mora em Lagoa Santa desde 1983. Pintora, escultora, designer e ceramista, possui diversos prêmios, exposições e obras espalhadas pelo mundo. É também tia do cartunista e escritor (e muitas outras coisas mais) Ziraldo.

As imagens dos quadros desse post foram fotografadas em livros que estão no Museu Guignard, em Ouro Preto, e também do site http://guignard.dcc.ufmg.br/

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Lagoa Santa foi inspiração na arte das pinturas e desenhos para Inimá de Paula e Guignard no séc XX, mas um século antes deles viveu aqui um outro artista, Peter Andreas Brandt, noruegês, que trabalhou até o fim da vida com Peter W. Lund.

Na próxima quinta-feira, dia 14, será lançada sua biografia, mais um importante livro para a história de Lagoa Santa: Brandt – O Pintor Desconhecido (na verdade acho não tem o nome dele no título, estou colocando aqui porque seria ironia demais deixar um título do “pintor desconhecido” e ainda tirar o nome do pobre brandt de lá).

Brandt foi um dos mais importantes colaboradores de Dr. Lund e o principal responsável por quase todos os desenhos que ilustram o trabalho do dinamarques. Sem ele a europa naquela época dependeria apenas da imaginação para visualizar a Lagoa Santa do séc. XIX, e hoje em dia teríamos pouca, ou nenhuma imagem pra ver como a cidade era no início daquele século. Sem falar também nos desenhos anatômicos das descobertas, os mapas das grutas e de Lagoa Santa naquela época, não existiria nada disso.

Brandt havia sido professor de desenho, comerciante e editor de revistas na Noruega e tinha, graças a essas atividades, acumulado um débito gigantesco. Quando sentiu a terra pegar fogo à sua volta, fugiu de tudo, inclusive da esposa e filhos – e achou-se dessa forma, no início de 1835, no Rio de Janeiro, onde encontrou os irmãos de Claussen e, com o seu costumeiro otimismo, decidiu0-se viajar com eles para Minas. Lund ficou alegre por encontrá-lo, pois sabia que, para o trabalho que estava para começar, iria ter bom uso para um colaborador com o talento artístico de Brandt, e imediatamente o contratou como seu assistente.” – Livro P.W. Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa

Evento: Lançamento do livro “O Pintor Desconhecido”

Quando: 14 de junho de 2012, às 19h30 (mesmo dia do aniversário de Peter W. Lund e de Peter A. Brandt)

Onde: Hotel Ramada em Lagoa Santa-MG. Abertura com palestra do pesquisador Doutor Castor Cartelle.

Autores: Birgitte Holten, Michael Sterll e Jon Fjeldsa.  Todos são dinamarqueses, e os dois primeiros são os que em 2011 lançaram o livro  P. W. Lund e as Grutas Com Ossos Em Lagoa Santa.

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Continuando a programação do II Circuito de Aventuras pelos Caminhos de Lund, no sábado, dia 16, a partir das 10h, será realizado no Distrito da Lapinha, na Quadra da Lapinha,  o II CIRCUITO DE AVENTURAS PELOS CAMINHOS DE LUND: que contará com encontro de motociclistas, Creedence Cover e muitas outras bandas.

Domingo, a partir das 8h, mais diversão com escalada, cavalgada, a grande Corrida Cross Country pelo Parque Estadual do Sumidouro, feira de artesanato e comidas típicas, quadrilhas do Arraiá de Belô e o Forró Pé de Serra do Sangue Novo.

A realização do evento é feita pela Prefeitura Municipal de Lagoa Santa, através da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, com o apoio de Garrotes do Asfalto, M9 Produções, Parque Estadual do Sumidouro, Instituto Estadual de Florestas, Associação de Condutores Itararé, Federação de Montanhismo e Escalada de Minas Gerais e Circuito das Grutas.

Fonte das informações: Livros “P.W. Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa”, “Peter Wilhelm Lund: o naturalisata que revelou ao mundo a pré-história brasileira” e o site da Prefeitura de Lagoa Santa.


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