
Prof. Dr. André Prous – Professor Titular da UFMG
Além da inauguração do Museu Peter Lund, na Gruta da Lapinha, notícia bastante divulgada pela imprensa mineira ontem e hoje, foi realizado também no mesmo dia, porém com menos ou nenhum destaque na mídia, o Simpósio Internacional Peter W. Lund, no Museu de Ciências Naturais PUC Minas.
O evento teve palestras de representantes do Museu de História Natural da Dinamarca, na Universidade de Copenhague, e de outros especialistas estrangeiros e brasileiros sobre a vida e obra deste paleontólogo e naturalista que viveu em Lagoa Santa.
Cada participante recebeu logo na entrada um exemplar do livro didático infantil “A história de AUR e NIA”, publicado pelo professor Cástor Cartelle e o cartunista Lor, que conta de maneira divertida a história de duas crianças de apoximadamente 10mil anos atrás vivendo em Lagoa Santa e sua fauna extinta nos dias de hoje.
O evento foi uma parceria do Museu de Ciências Naturais com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e teve uma breve participação de alguns membros da familia real dinamarquesa, incluindo a princesa da Dinamarca, Mary Elizabeth, condessa de Monpezat. Apesar de ficar apenas nos primeiros minutos do simpósio, e sem dizer uma palavra, a presença da princesa foi muito significativa para dar ainda mais importância ao evento.
As palestras tiveram início após a inauguração do “marco zero” do projeto de turismo científico Rota Lund, idealizado pelo professor Cartelle, que percorre o caminho feito por Lund e integra o museu da PUC Minas, o Parque Estadual do Sumidouro, as grutas da Lapinha, em Lagoa Santa, Rei do Mato, em Sete Lagoas, e a de Maquiné, em Cordisburgo.
Para marcar o “marco zero”, foi inaugurado em frente ao museu um monumento de três metros e meio de altura, produzido em tubo de aço carbono sem costura, por Ricardo Carvão Levy, em homenagem a Peter Lund. Segundo o artista, a inspiração da obra de arte veio da aparência dos fósseis pré-históricos.
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Palestras em inglês
Após uma breve introdução pelo Dr. Morten Meldgaard, Diretor Geral do Museu da Dinamarca, teve início a palestra da Diretora do Programa de Relacionamento com o Público do museu dinamarques, Hanne Strager, que falou sobre a relação do trabalho de Lund e Charles Darwin.
Em seguida, Kasper Lykke Hansen, Pesquisador Assistente do Centro de Genética, fez a sua palestra sobre novas informações da coleção de fósseis que Lund enviou ao museu dinamarques, contando sobre novos testes genéticos na coleção, a dificuldade de se obter algum resultado no teste de carbono 14 nos fósseis, mas que até agora não obteve nenhum resultado significativo novo.
Para encerrar a parte da manhã de palestrantes estrangeiros, Prof. Niels Bond falou sobre o trabalho de Lund e Cuvier como inspiração para as idéias evolutivas.
Palestras em portugês
O segundo tempo do simpósio foi inteiramente em português, tendo início com uma contextualização histórica do Prof. Caio C. Boschi, Professor Titular da PUC, seguido pela palestra da Historiadora Ana Paula Almeida Marchesotti, autora do livro “Peter Wilhelm Lund: o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira”, falando uma breve e importante biografia da vida e trabalho de Lund, resultado da sua dissertação de mestrado na UFMG que virou o livro.
A palestra seguinte foi do Professor Titular da UFMG, Dr. André Prous, sobre Lund e a Arqueologia, marcada por algumas leves alfinetadas no arqueólogo Walter Neves, que não estava presente. Prous falou sobre as possíveis características da aparência que a ciência pode afirmar com certeza sobre Luzia, o fóssil humano encontrado por Walter.
A Profa. Dra. Gisele Lessa, Coordenadora do Mestrado em Biologia Animal da UFV foi a última palestrange falando sobre “As Grutas de Lund Hoje: O Que Mudou Em 200 Anos”.
Dando continuidade
O simpósio foi sem dúvida um evento mais interessante que a inauguração do Museu Peter Lund, que aparentemente foi apenas uma formalidade política envolvendo autoridades. Não se consegue entender porque marcaram os dois no mesmo dia, ja que o público interessado não poderia estar nos dois lugares ao mesmo tempo, mas se fosse para escolher um, o museu continua nos dias seguintes, os fósseis de Lund ficam mais 3 anos por aqui, já o simpósio acabou.
A boa notícia é a idéia proposta de realizar futuramente dois Simpósios Peter W. Lund a cada 2 anos, um na Dinamarca, e um no Brasil, dando continuidade a divulgação das novas descobertas sobre o seu trabalho.